6.1 - Ensino a distância, educação a distância, aprendizagem a distância?
Entendemos que a escola é uma instituição tradicional. Assim, quase que naturalmente, as inovações são vistas de modo ameaçador a organização escolar. Se uma coisa é feita de uma forma ha décanas e até ha séculos, cria-se uma sensação de conforto e estabilidade. O novo representará uma ameaça.
O ensino diz respeito e foca preponderantemente o papel do professor no processo – ensino-aprendizagem que como um maestro poe a orquestra pra tocar. Os avanços teóricos que tenta mudar o foco ainda se apresenta efêmeros. Não é fácil mudar uma cultura, assim as mudanças serão lentas.
Uma questão importante nesta área é que não basta fazer uso da tecnologia hoje disponível as escolas, é necessário aprender a fazer uso das mesmas de uma forma revolucionária, diferente do método tradicional. Do contraio o processo continuará engessado, muda-se as ferramentas, mas o método continuará o mesmo. Isso de nada adiantara. De que adiantaria um professor usar a tecnologia de um datashow para projetar a tabuada de matemática no telão?
Caso os meios tecnológicos não sejam devidamente utilizados repetir-se-á a velha e morosa metodologia assinalada por Paulo Freire como educação bancaria. Ou como poderíamos dizer atualizando o fraseado de “Educação bancaria virtual”, os resultados serão os mesmos ou piores.
Sobre este tópico bem comentou Moran:
Com os processos convencionais de ensino e com a atual dispersão da atenção da vida urbana, fica muito difícil a autonomia, a organização pessoal, indispensáveis para os processos de aprendizagem à distância. O aluno desorganizado poderá deixar passar o tempo adequado para cada atividade, discussão, produção e poderá sentir dificuldade em acompanhar o ritmo de um curso. Isso atrapalhará sua motivação, sua própria aprendizagem e a do grupo, o que criará tensão ou indiferença. Alunos assim, aos poucos, poderão deixar de participar, de produzir e muitos terão dificuldade, à distância, de retomar a motivação, o entusiasmo pelo curso.
Note que a educação a distancia tem suas “provações” próprias, pois o aluno longe do olhar do seu professor poderá vir a desestimular dos seus estudos e quem o poderá “resgatá-lo?” Lembremo-nos que nem todos, melhor dizer, boa parte, ou quem sabe a maioria dos alunos não possuem disciplina, qualidade essencial para qualquer um que se aventure pelos caminhos do ensino à distancia.
Moran salienta que “ No presencial, uma conversa dos colegas mais próximos ou do professor poderá ajudar a que queiram voltar a participar do curso. À distância será possível, mas não fácil.”
Outro problema que se insinua nesse campo é o despreparo dos próprios professores no que diz respeito ao domínio das novas tecnologias. Em muitos casos os alunos estão muito mais preparados do que estes.
Para Moran:
Os alunos estão prontos para a multimídia, os professores, em geral, não. Os professores sentem cada vez mais claro o descompasso no domínio das tecnologias e, em geral, tentam segurar o máximo que podem, fazendo pequenas concessões, sem mudar o essencial. Creio que muitos professores têm medo de revelar sua dificuldade diante do aluno. Por isso e pelo hábito mantêm uma estrutura repressiva, controladora, repetidora.
Como havíamos salientado anteriormente, não basta fazer uso das tecnologias mais utilizá-las de forma criativa e inteligente explorando novas metodologias a fim de tornar seu uso mais eficiente, do que se não as utilizassem. As tecnologias mal utilizadas podem ser tal inapropriada e prejudiciais como qualquer método tradicional. Os professores precisam despertar para a nova realidade que os novos tempos se lhes figura.
Segundo Moran:
Os professores percebem que precisam mudar, mas não sabem bem como fazê-lo e não estão preparados para experimentar com segurança. Muitas instituições também exigem mudanças dos professores sem dar-lhes condições para que eles as efetuem. Freqüentemente algumas organizações introduzem computadores, conectam as escolas com a Internet e esperam que só isso melhore os problemas do ensino. Os administradores se frustram ao ver que tanto esforço e dinheiro empatados não se traduzem em mudanças significativas nas aulas e nas atitudes do corpo docente.
Uma questão preponderando nesse debate diz respeito ao foco do processo ensino-aprendizagem. Como assim? Se pararmos para observar, o foco da educação tanto presencial como a EAD, tem sido nos conteúdos, no professor e no individual.
Vejamos como Moran coloca esta questão:
A maior parte dos cursos presenciais e on-line continua focada no conteúdo, focada na informação, no professor, no aluno individualmente e na interação com o professor/tutor. Convém que os cursos hoje – principalmente os de formação – sejam focados na construção do conhecimento e na interação; no equilíbrio entre o individual e o grupal, entre conteúdo e interação (aprendizagem cooperativa), um conteúdo em parte preparado e em parte construído ao longo do curso.
Este aspecto é de suma importância pois de nada adianta ter um material didático de lata qualidade, conteúdo de primeiro mundo se o aluno não estiver devidamente motivado para deste conteúdo se apropriar. Sim, a motivação é de estrema importância no processo. E por que? Moran nos diz com as seguintes palavras:
É difícil manter a motivação no presencial e muito mais no virtual, se não envolvermos os alunos em processos participativos, afetivos, que inspirem confiança. Os cursos que se limitam à transmissão de informação, de conteúdo, mesmo que estejam brilhantemente produzidos, correm o risco da desmotivação a longo prazo e, principalmente, de que a aprendizagem seja só teórica, insuficiente para dar conta da relação teoria/prática. Em sala de aula, se estivermos atentos, podemos mais facilmente obter feedback dos problemas que acontecem e procurar dialogar ou encontrar novas estratégias pedagógicas. No virtual, o aluno está mais distante, normalmente só acessível por e-mail, que é frio, não imediato, ou por um telefonema eventual, que embora seja mais direto, num curso à distância encarece o custo final.
A tecnologia em si não mudará as coisas e a qualidade na educação em nosso pais. Elas são meramente uma ferramenta que poderá a ser bem utilizadas ou mal utilizadas. O aspecto do “gerenciamento emocional” é a questão no dizer de Moran: “Mesmo com tecnologias de ponta, ainda temos grandes dificuldades no gerenciamento emocional, tanto no pessoal como no organizacional, o que dificulta o aprendizado rápido.”
A questão de quem irá fazer uso das tecnologias, se é uma pessoa madura, seja professor ou aluno, sua postura diante da vida e das novas propostas são questões não só relevantes mais fundamental e definidora dos resultados finais no processo ensino aprendizagem.
Moran assinala corretamente:
As mudanças na educação dependem, mais do que das novas tecnologias, de termos educadores, gestores e alunos maduros intelectual, emocional e eticamente; pessoas curiosas, entusiasmadas, abertas, que saibam motivar e dialogar; pessoas com as quais valha a pena entrar em contato, porque dele saímos enriquecidos. São poucos os educadores que integram teoria e prática e que aproximam o pensar do viver.
Sobre o tipo de pessoas que estarão à frente da educação em nossos pais, requerer-se-ão das mesmas mais do que grande cabedal de conhecimentos teóricos ou tecnológicos, estes também, mas requere-se-a alma, espírito, carisma, paixão contagiante que faça o diferencial, essa será o fagulha que incendiará aos corações despertando paixão nos alunos pelo conhecimento em vários níveis
Moram salienta este aspecto:
Os educadores marcantes atraem não só pelas suas idéias, mas pelo contato pessoal. Transmitem bondade e competência, tanto no plano pessoal, familiar como no social, dentro e fora da aula, no presencial ou no virtual. Há sempre algo surpreendente, diferente no que dizem, nas relações que estabelecem, na sua forma de olhar, na forma de comunicar-se, de agir. E eles, numa sociedade cada vez mais complexa e virtual, se tornarão referências necessárias.
Talvez a grande pergunta seja onde encontrar essas pessoas e como trazê-las para a educação quando a remuneração destes profissionais não são nada convidativos. Não podemos deixar de reconhecer que muitos educadores já realizam esse papel com excelência, mas creio ser apropriado parafrasearmos o mestre dos mestres dizerdo “ a seara (educação) é grande e os ceifeiros (educadores) são poucos.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICA
MORAN, José Manuel. A integração das tecnologias na educação. Disponível em: < http://www.eca.usp.br/prof/moran/integracao.htm>. ACESSADO EM 12 DE ABRIL DE 2012.
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